domingo, 9 de novembro de 2008
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• Patrícia Pillar: "Me inspirei na Amy Winehouse e pratiquei boxe para interpretar a Flora" ______________________________________
 Nunca houve uma vilã como Flora. Você pode citar mais de 20 vilãs, mas nenhuma chega aos pés de Flora. Ela enganou o espectador durante 55 capítulos, bancando a injustiçada, a sofredora, a heroína. Só depois disso, ela passou a mostrar seu lado mau. E bota mau nisso. Flora despreza o pai, rejeita a filha e mata, sem pensar duas vezes, quem atrapalhar a trajetória que traçou em busca de vingança. "A Favorita", a novela dominada pelas maldades de Flora, precisava de uma grande atriz para dar credibilidade a uma personalidade tão dúbia e tão radical. E a encontrou em Patrícia Pillar, que, aos 44 anos, equilibrando seu rosto de anjo com os olhares perversos da personagem, realiza seu melhor trabalho em 24 anos de TV.
Porém, Patrícia não gosta de dizer que é seu melhor trabalho. - É o mais rico - pondera. - O com mais possibilidades, o mais perigoso. Quando li os primeiros capítulos, fiquei apreensiva. Não me parecia um personagem de novela. Flora é realista num certo sentido, mas tem um outro lado que chega muito perto da loucura. Ela diz uma coisa, mas a cabeça está em outro lugar. Está sempre raciocinando. É preciso muita concentração para interpretá-la.
Acompanhando, diariamente, os muitos detalhes com que Patrícia constrói a sua Flora, é difícil partilhar com ela a desconfiança com que encara cada novo personagem. - Eu não tenho escola - justifica. - Muitas vezes, no trabalho, senti falta de ferramentas.
Mesmo assim, ela criou um arsenal próprio de instrumentos do qual lança mão em cada trabalho. - Sou estudiosa - resume ela, antes de descrever, passo a passo, como constrói um personagem de novela. - Para começar, leio todos os primeiros capítulos. Geralmente, a gente começa uma novela com 16 ou 18 capítulos já escritos. Leio tudo. Assim, fico sabendo do que o autor está falando. Então, estudo o meu personagem e a função dele nessa história. Depois, vem a parte que eu mais gosto: Tento visualizar o personagem.
No caso de Flora, Patrícia a visualizou visitando o presídio Talavera Bruce. - Flora tinha passado 18 anos na prisão, e eu nunca tinha visto uma presidiária. Sempre vou em busca de uma coisa que sei que não vou encontrar. O que eu preciso está dentro de mim. Mas só consigo pôr para fora quando toda a parte racional está resolvida.
A atriz, que não é muito de freqüentar academias, nem de fazer esportes, que é uma pessoa mais, digamos, contemplativa, resolveu ter uma atividade física para enfrentar a Flora. - Fiz aeróbica e box. Por quê? Flora é atlética? - Não sei, mas essas atividades ativaram coisas no meu corpo que foram importantes para mim.
Outros detalhes insuspeitos foram importantes para Patrícia. O jeito de Flora podia estar na foto de um tigre que ela viu numa revista ou num videoclipe encontrado no YouTube. Isso mesmo. Na cabeça de Patrícia Pillar, Flora tem um pouco a ver com Amy Winehouse cantando a música "Love Is A Losing Game" (assista ao videoclipe no YouTube).
Mesmo com a novela no ar, Patrícia continua com seus truques. Quando percebe que numa situação Flora precisa estar ansiosa por causa de uma cena anterior que nem foi gravada ainda, ela dá uma corridinha em volta do estúdio. Assim, quando o diretor grita "gravando", ela já está ofegante na dose certa. - Novela é uma gincana - define. - É uma quantidade absurda de cenas para gravar praticamente todos os dias.
Mas ela não reclama, nem esconde um certo orgulho com o resultado de seu desempenho: - É tudo tão imponderável, mas, às vezes, você está em paz com seu processo. Sinto que a Flora deu um caldo legal.
Fonte: O GloboMarcadores: entrevistas
escrito às 17:00 - Link da notícia -
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